Mundo imaginário
Às vezes, não sei se por necessidade de me alhear à realidade ou se por vontade de tocar um além. Ou até mesmo se inconscientemente, dou por mim num mundo ou numa realidade paralela à minha.
Não são raras as vezes que me apercebo estar a viver ou experienciar vivências que nada tem a ver comigo.
Neste mundo imaginário ou não, percorro muita vezes lugares onde jamais estive e que provavelmente jamais lá estarei, no entanto conheço-os na perfeição, cada canto, cada detalhe, cada pormenor e conheço o cheiro de cada tecido, de cada superfície de cada pessoa, sinto cada textura. Naquele momento aquele é o meu espaço e não o estranho e não o recuso.
Falo com personagens ou pessoas, sim penso serem pessoas, nem sei se imaginárias, ri-o com elas, e choro, passo com elas um longo ou breve tempo que é nosso e ao mesmo tempo, só meu. Tudo é possível, todas as conversas têm uma lógica, um fio ou não, por vezes não tem qualquer coerência aparente. Posso ser a confidente, a amiga, o ouvido e ombro amigo, como posso desabafar, partilhar e envolver-me de várias formas com várias …. “entidades”.
Nada é proibido, ou impossível, uma situação pode prolongar-se por várias horas como pode ser uma fracção de segundos. O tempo é uma coisa tão relativa que chego muitas vezes a duvidar que as horas tenham 60 minutos ou um dia 24 horas.
Por vezes sinto-me a meio de uma conversa, “passar-me” para a “realidade” onde algo de diferente e enfadonho tem de ser terminado, e quase instantaneamente e por vezes em simultâneo a conversa paralela prossegue. Por vezes é uma discussão, um amuo, um não te quero ver mais. É nessa altura por ventura que volto atrás, no mundo real nem sempre podemos. O que for dito, dito está.
Posso voltar à realidade quando me apetecer, embora por vezes penso que será só se me deixarem, ou se eu deixar que me deixem.
Se não me apetecer posso sempre colocar um pé em cada mundo. E viver esta dualidade não de personalidades, mas talvez de afirmação.
Em criança, diz-se, ter-mos um amigo invisível que com o tempo se esvai ou se esquece. Ás vezes penso que o meu ainda me visita nos meus sonhos acordada. Muitos poderão pensar tratar-se de um tipo de Esquizofrenia, mas também não me parece.
Provavelmente trata-se apenas de uma fuga à rotina, à monotonia diária, quem sabe uma forma de estar sempre acompanhada ou de estar sozinha quando quero. Certamente não é nenhumas destas hipóteses, mas não é importante, pelo menos para mim.
Acho que no fundo não procuro nenhuma explicação lógica se é que ela existe, não digo que por vezes não me assuste com certas emoções e situações desse “mundo imaginário”, mas não quero pensar muito nisso. Nem vou fechar os olhos e ouvidos porque sei que quando os abrir eles vão lá estar……ou não.
Devaneio de Ofeliazinha - a 18 Setembro, 2009 - às 9:14 pm em Devaneios com Comentários 3
Raul Solnado é um nome que ficará para sempre na memória de todos os da minha geração, assim como mais velhos e até mais novos. Era uma pessoa que fazia rir do mais novo ao mais velho. Com graças simples e directas, mas sempre muito divertidas.
